sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sobre as malas e devaneios.

Rodoviárias sempre me causam sensações... boas e não tão boas. O constante inconstante ir e vir, o partir e o deixar, o voltar e o encontrar. As lembranças fluem e dissolvem-se, acompanhando o intenso fluxo de malas que carregam pessoas. Malas repletas de coisas “personificadas”, pertencentes a pessoas “coisificadas”. Além dessas reflexões, que já são estranhas o suficientes, reflito sobre as vezes que eu fui...e que eu vim. Nos meus 17 breves anos de vida, já tenho histórias para contar!
Certo dia, um velho amigo alertou-me para a quantidade de casais que se reencontram e se separam em lugares como este. Lembrei-me de um casal, especificamente, que sempre me fez escrever palavras a fio sobre seus sorrisos e lágrimas.Amantes e errantes, como todos os outros jovens!
Mas, como autêntica registradora de fatos, interromperei meus devaneios para mais um registro, e para mais um fato.
No seu primeiro encontro, já existia a desagradável distância entre eles. E assim seria...talvez seja para sempre, talvez ela se dissolva no tempo... Quem além do tecelão do destino poderá nos dizer?
No princípio, Ele foi ao seu encontro, Ela o aguardou. Um carnaval, uma cabeçada na lâmpada, um abraço. Ele a beijou e partiu.Dois meses. Ela e Ele enfrentaram meias curvas e meias horas em ônibus até o meio do caminho. Meias palavras, meia Lua, meios sentimentos, amigos inteiros. Ela o beijou e partiu. A distância aumentou e diminuiu. Suas vidas estagnaram-se e fluíram. Meio ano, um ano, ano e meio. A Garota , o Universitário, novamente no meio do caminho. A fogueira, a Lua, desta vez inteira, os mesmos e outros amigos inteiros. Palavras inteiras, momentos inteiros. Eles se beijaram e partiram, mas desta vez, para o mesmo destino. A antiga cumplicidade das famílias,as noites em claro,a natureza forte, as estrelas infinitas,a conexão anímica. Das despedidas, a primeira dolorosa. Iniciam-se então, os devaneios rodoviários dos que se despedem e se reencontram.
Ela o viu através do reflexo de um guichê de uma Rodoviária gelada. Sorrisos, passeios, entrega. Alguns dias impossíveis de serem esquecidos depois, Ele falou em amor ,no mesmo frio rodoviário de sua chegada. Um mês. Ela se distraía com um pedaço de chocolate,e seus olhos foram vendados. Seu coração pulou de alegria! Ele chegara à meia-noite em outra Rodoviária,desta vez, um vento morno preenchia o local. Praia,calor,amor sussurrado e um feriado depois, se despediram na Rodoviária em questão, já saudosos. Tristezas, reflexões, mudanças. Ainda assim, a nova Rodoviária de suas trajetórias, mal pôde conter a felicidade explícita de um novo reencontro! Piscina, pizza, cinema, sérias decisões. Um pedido de namoro. Lágrimas e sorrisos acompanharam a despedida, e lá estavam Eles de novo, em um terminal rodoviário.Foi a última rodoviária que os abrigou.
Houve um Ano Novo, um aniversário, alguns meses e uma submissão:a felicidade caía diante da distância incessante... um término. Tristeza e dor,dor e tristeza.Amizade persistente. Mudanças supérfluas e profundas.Um ano. Um esperado e estranho reencontro.Felizes e embriagados beijos, felizes abraços, feliz adormecer, feliz despertar. Um intenso show de Rock. Uma estranha despedida, e depois dela, tudo o mais estranhou-se também. Não mais reencontros, não mais profundas conversas, não mais banais conversas, não mais confissões, não mais carinho, não mais amizade. E sobretudo, não mais Rodoviárias.


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